Short Story
Todo mundo é feito de energia, certo? Certo. Todo mundo sabe disso, mas o que as pessoas não sabem, é que cada pessoa tem uma energia diferente, com uma cor diferente. Eu consigo ver isso. É meu "super-poder" ou algo assim. Não é algo tão legal quando voar, ou ficar invisível, mas pelo menos é uma vida bem... Colorida. É uma aura colorida que envolve todo o contorno do corpo da pessoa. Cada aura é diferente. Algumas são parecidas mas os tons são levemente diferentes. As cores frias são as minhas pessoas preferidas, tons de roxo, azul e verde, por exemplo são pessoas calmas, tranquilas, mais introvertidas. As cores quentes, normalmente são mais fortes, mas não são muito meu tipo de pessoas, são pessoas expansivas, extrovertidas e impulsivas...
- Oh meu Deus! Me desculpa! Você está bem? - Era uma menina, de no máximo 17 anos. Acho que eu estava tão concentrado nos meus próprios pensamentos que não vi ela que ela estava na mesma linha que eu estava caminhando. E pelo jeito ela também não me percebeu.
Ela me estendeu a mão, para me ajudar a levantar e eu finalmente olhei pra ela. Ela não tinha aura. Eu nunca conheci ninguém que não tivesse aura.
- Eu estou bem, eu que peço desculpas, estava tão perdido nos meus pensamentos que não te vi. - Respondi, tentando não transparecer o choque de ver alguém sem aura. Aceitei a mão que ela estendia e levantei.
- Ah, não foi totalmente sua culpa, eu também estava viajando. - Ela sorriu e um dourado bem clarinho emanou dela. - Você está bem mesmo? Parece meio pálido.
Era o mesmo tom de dourado que eu lembrava de emanar de uma pessoa muito importante no meu passado. Era o mesmo tom de dourado que eu passei 13 anos sem ver após a última vez que eu vi minha mãe. O mesmo tom de dourado que eu vi saindo pela porta, cantarolando que só iria dar "um pulo no mercado e logo voltava". Só que ela não voltou. Ela nunca voltou. Só quem voltou foram os policiais, para avisar que houve um acidente, e que ela não sobreviveu.
- Sabe o que? Eu vou te levar pro hospital. Eu nunca iria me perdoar se a minha falta de atenção fosse a causa de algum problema para alguém.
- Não! Imagina, não precisa, não. Eu estou bem. Sério. - Respondi, tentando esquecer aquele dia e as memórias ruins.
- Então me deixa pelo menos te comprar um café. E não aceito "não" como resposta.
Começamos a caminhar, e então voltei a analisar a aura dela. O dourado ficava tão sutil e claro, que parecia branco, e então voltava a ficar dourado. Era quase como se a aura dela respirasse. Inspirando na cor branca e expirando na cor dourada. Era fascinante e nem por um minuto eu conseguia parar de olhar.
- Aliás, meu nome é Ashley. Te convidei para um café e nem me apresentei, é muita falta de educação, não é? - Ela sorriu e se virou para mim, oferecendo a mão para um aperto de mão introdutório.
- Acho que nós dois estamos meio baqueados por causa da batida. O meu nome é Taylor. - Apertei a mão dela e jurei ter sentido a "respiração" da aura dela parar por um segundo, como se estivesse segurando o fôlego.
- Agora que já estamos devidamente apresentados... - Ela disse, abrindo a porta do café - Vou fazer o pedido para nós. O que você vai querer?
- Pode ser um Cappuccino pequeno. Mas deixe que eu pago. - Disse tirando a carteira do bolso.
- Não mesmo! Eu te convidei para um café, eu que vou pagar. Escolha uma mesa para a gente e logo encontro você.
Ela se virou e foi direto para o caixa, fazer o pedido. E quanto a mim, só restou eu ir procurar uma mesa. Encontrei uma perto da janela, e foi onde eu me sentei, virado para o caixa, e voltei a olhar a menina, Ashley. Eu estava tão maravilhado com a aura dela, que não tinha percebido o jeito dela. Ela parecia muito agitada, mas de uma forma boa. Ela parecia ser daquelas pessoas que estão sempre prontas para agir e fazer o bem. Bem diferente de mim. Eu estou mais para uma pessoa que gosta mais de observar ao invés de agir. Eu gostou mais de ouvir do que de falar, eu gosto mais de ver do que de fazer, e nos 5 minutos em que eu conheci essa garota, já percebi que ela é exatamente o contrário. Ela falou alguma coisa para a barista que a fez rir. E assim que ela pegou os dois copos, não precisou de mais de 3 segundos para me encontrar e começar a andar em direção a mesa que eu escolhi.
- Um Cappuccino grande pra você e um mocha de chocolate branco com caramelo, pra mim. - Ela disse, com um sorriso confiante. - Para futuras referências, Taylor, não se pede um café "pequeno" no primeiro encontro, ao menos que você não tenha gostado do que viu e quer fugir o mais rápido possível. Por isso pedi um grande. Agora a gente tem mais tempo pra conversar e você vai poder ver que eu sou muito mais do que uma pessoa desatenta que bate de cara com outras pessoas na rua.
Peguei meu copo e tomei um gole. E pensei que, por mais estranho que nosso "primeiro encontro" tenha sido, isso tinha boas chances de se tornar algo muito bom.
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