Sobre a cultura do cancelamento...

 Oi! Quem diria que em tão pouco tempo eu teria tanta coisa pra falar, não é mesmo.

Mas outra coisa que aconteceu recentemente, e eu queria falar um pouco mais sobre, é essa história de cultura do cancelamento. Pode ser porque eu to ficando mais velha, pode ser porque eu não entendo tanto sobre o assunto, mas eu acho que ultimamente, as pessoas estão exagerando um pouquinho nesse assunto. Uma coisa é você "hold someone accountable" pelos erros da pessoa, outra coisa é você destruir a vida da pessoa e o psicologico da pessoa porque você não concorda com alguma coisa que você acha que aconteceu. E eu digo acha que aconteceu, porque tudo é questão de ponto de vista. Você não sabe o que de fato aconteceu, se não estava lá pra ver. Não tem como "saber" o que aconteceu sem ter alguém imparcial, que apenas relata os fatos, sem usar a própria experiência e sentimentos em relação a aquilo. 

E porque que eu to falando isso? Porque nesses últimos tempos, duas pessoas que eu acompanhava no youtube sofreram bastante com isso. Semana passada, a Ashley Gavin (uma dessas pessoas) falou sobre o que aconteceu com ela no Podcast que eu assisto, e ontem, a Colleen (a outra) voltou a postar os vlogs dela, e eu resolvi falar sobre isso.

E sinceramente, eu li tudo que aconteceu no caso da Colleen, e eu não concordo. Claro que eu reconheço que o menino pode ter se sentido do jeito que ele se sentiu, não quero desmerecer ele. Mas eu acho que ele simplesmente blew it out of proportion. Porque não era pra tanto. Quem conhece ela, sabe o tipo de humor que ela faz, e se você não concorda, é só não assistir. Pra mim, não me atrai o estilo de comédia da Miranda. Eu não gosto, então eu não assisto, e tá tudo bem. Mas eu não acho que ela tenha de fato usado essas coisas de Parassocial de uma maneira consciente e de propósito. Eu acho de fato que ela não fez de propósito e não fez com esse intuito. Eu acho que sim, talvez ela tenha errado em algumas coisas, mas isso não faz dela essa pessoa tão ruim que as pessoas estão tentando fazer parecer. 

Eu sei que eu já fiz coisas das quais eu não me orgulho nem um pouco. Eu já traí o meu (na época) namorado. E não é por isso que eu sou uma pessoa ruim, e que como eu fiz uma vez, eu vou trair ele toda chance que eu tiver, e que uma vez que eu fiz, eu nunca vou mudar. Eu usei isso, pra aprender e ser melhor. Eu não quero dizer que eu tinha motivos pra fazer isso, porque de fato, eu poderia ter lidado com os problemas que eu tava tendo de outras formas, mas foi o jeito que eu tinha de lidar com as coisas que eu tava passando. E depois que isso aconteceu, foi quando eu aprendi que existiam outras formas de lidar com aquilo, que eu poderia ter feito diferente. Mas na hora, era o único jeito que eu achei que existia. Não vou falar mais sobre o assunto, porque isso é coisa pra eu levar pra terapia, mas o que quis dizer aqui, é que eu peguei esse erro catastrófico que eu fiz, e eu aprendi com ele. E eu não quero que todo mundo ache que esse erro vai me definir como pessoa, e que eu sempre vou ser a mesma pessoa que traiu o namorado. Porque hoje em dia, uns 7 anos depois do acontecido, eu não sou mais a mesma pessoa. Hoje em dia eu não consigo nem cogitar a ideia de trair ele. 

E sobre o que aconteceu com a Ashley, é mais ou menos a mesma coisa. Ela podia ter lidado de uma forma diferente? Podia. Mas eu acho que se ela agiu da forma que ela agiu, foi porque, na hora, era a única forma que ela acho pra lidar com isso. E eu sei que isso não define ela também, e que ela vai aprender e melhorar com isso pela forma que ela tratou isso no Podcast. E de novo, as pessoas que vão no show dela, em teoria, deveriam saber como é o tipo de humor dela. Que ela faz piadas com assuntos pesados, e o jeito que ela lida com as coisas difíceis é fazendo piada, e se não é seu tipo de humor, é só não assistir, não acompanhar o trabalho dela. E sabe, tá tudo bem! Você tem o total direito de gostar de uma coisa e não gostar de outra. E não é porque alguém gosta, que todo mundo vai gostar. Cada pessoa é diferente, cada pessoa tem gostos diferentes, cada pessoa tem um tipo de humor diferente. Tem gente que gosta de assistir filmes de romance, tem gente que gosta de assistir filmes de ação. E uma pessoa que não gosta de filmes de romance, não costuma ficar fazendo review de filmes de romance falando o quanto o filme é bosta, porque a protagonista ficou com o cara no final. Então porque no YouTube é tão comum os comentários de ódio, e falando o quanto aquela pessoa é horrível, e o quão ruim é aquele vídeo? Não faz sentido pra mim. Se não gosta, simplesmente não assiste, não acompanha, e tá tudo bem!!

E como eu disse lá no começo, uma coisa é você chamar atenção sobre algum assunto, pra que a pessoa perceba que aquilo não foi legal, pra ela poder aprender com o erro que ela cometeu, e usar isso pra ser uma pessoa melhor no futuro, e não fazer de novo a mesma coisa. Mas é outra coisa escalar isso para um nível extremo, que é o que eu tenho visto acontecendo, para um discurso de ódio e ameaças sérias. Primeiro porque não é nem um pouco produtivo, né, convenhamos. Segundo porque as vezes chega a ser pior do que o próprio ato da pessoa. No caso da Ashley, eu acho que acabou sendo mesmo. Porque enquanto ela cometeu um erro de interpretação, achando que a pessoa estava fazendo piadas com ela, enquanto era verdade, ela recebeu ameaças diretamente a família dela. Pode parecer bobo, mas são coisas que afetam diretamente o psicológico das pessoas, e ao invés de ajudar elas a perceberem o erro, acaba traumatizando de uma forma que ela não vai achar que está errada, porque, veja bem, essas pessoas obviamente estão mais erradas. E focando no erro dos outros, as vezes a gente não consegue olhar pros nosso próprios erros.

Por sorte, as duas tem acesso a terapia, e podem usar isso pra ver que sim, estavam erradas, mas nada que seja irreparável. O negócio é aprender e ser melhor. Mas se uma pessoa sofre isso e não tem acesso a terapia, ou já é mentalmente instável (como foi o caso de algumas YouTubers que eu assistia sobre DID), a pessoa pode acabar muito muito muito mal (ou em casos extremos, chegar ao suicídio). Aliás, por falar nesse assunto, eu assisti também recentemente (engraçado como tudo na minha vida tem meio que rodeado esse assunto ultimamente), um anime que tratava um pouco sobre esse assunto. Em uma das storylines de Oishi no Ko, trata sobre uma menina que por pressão da vida, e dos produtores do reality show que ela tá participando e whatnot, acaba acaba cometendo um erro e arranha uma outra menina. Aí começa na internet toda essa história de cultura do cancelamento, e cyberbulling em cima dela, até chegar ao ponto de ela tentar se matar. E eu acabei descobrindo (agora mesmo, inclusive), que isso foi baseado em uma história real, onde a menina de fato se matou. 

Ou seja, eu sinto que ultimamente está faltando um pouco de bom senso nas pessoas, em saber o que é crítica construtiva e o que é full on bullying. As pessoas não estão tendo noção (eu acho e espero, na verdade, que não seja de propósito), de que as palavras que eles digitam, anonimamente, protegidos pela tela do computador, pode afetar, e muito, quem tá lendo e recebendo essas palavras. Palavras são poderosas, e eu sei disso porque passei bastante tempo da minha infância e adolescência ouvindo coisas, que eu acabei internalizando sem querer. Quando você escuta demais alguma coisa sobre você, essas coisas começam a se tornar reais, e isso é assustador de pensar, porque diferente de coisas como ações, que tem uma repercussão na hora (como por exemplo bater em alguém), as palavras vão acumulando e acumulando, e você nem percebe que tá fazendo mal, até chegar ao ponto de explosão, quando você percebe que estava fazendo mal, sim. E dependendo da pessoa, esse ponto pode demorar a chegar, e enquanto não chega, continua fazendo mal. 

Bem, eu acho que já falei mais do que deveria sobre o assunto, mas era algo que eu acho que precisava falar (levando em conta o tanto que eu escrevi aqui). Obrigada por ter vindo ao meu Ted Talk.



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