Sobre o Festival Campineiro e o Pole Dance...
Vamos de textão.
Em 2016, quando eu comecei o Pole Dance, eu não tinha ideia de como aquilo iria mudar a minha vida. Eu comecei no final do ano, em Outubro, e em Dezembro, participei da apresentação de fim de ano, junto com a minha turma. Eu não conseguia nem inverter, ainda. Eu nunca fiz aula de dança, e me sentia a pessoa mais descoordenada do mundo inteiro. Em 2017, foi quando eu digo que realmente comecei a fazer aulas, porque foi quando eu aprendi alguns movimentos e comecei a gostar mesmo daquilo. Foi quando eu descobri que eu não precisava “saber dançar” pra fazer Pole Dance. Eu só precisava treinar, treinar e treinar. Claro que eu via as pessoas que vinham da ginástica sendo 1000 vezes mais flexíveis que eu, e pessoas que vinham da dança sendo 5000 vezes mais fluídas que eu, mas eu continuei no meu caminho, ainda me sentindo iniciante, descoordenada, e travada. Em 2018, na apresentação do final do ano com a turma, foi quando eu pensei que finalmente agora vou poder mostrar um pouquinho do que eu consigo fazer. No último movimento, eu caí. Eu fiquei muito decepcionada, obviamente. Em 2019, eu decidi que eu iria tentar participar de um campeonato, mas acabei me machucando no começo do ano, enquanto treinava (errado) para o tal do campeonato. No fim do ano, de novo tivemos a apresentação do fim de ano, com a turma. Nessa época, eu fazia aulas 3 vezes na semana, em duas turmas diferentes, então participei de duas coreografias. Foi muito desafiador pra mim, que tinha dificuldade de lembrar de uma, quem dirá DUAS coreografias! Mas 2019 foi o ano em que eu mais gostei de apresentar. As duas coreografias deram certo. Não 100% certo, mas certo o suficiente. E eu consegui aproveitar o momento, e me divertir. Em 2020 eu troquei de estúdio, e aí veio a pandemia, e aulas online, troquei de estúdio mais uma vez, e entre COVID, bandeiras vermelhas, lockdowns, eu fiz o que eu pude pra evoluir, mas não foi um caminho muito tranquilo. Em 2021, além de evoluir melhor, eu descobri o meu estilo dentro do Pole, descobri que tipos de movimentos eu gosto de fazer, quais movimentos são mais fáceis pra mim, quais são mais difíceis, quais travas são boas e quais não são. Em 2022, decidi que iria tentar (mais uma vez) participar de um campeonato. Chegou o dia final para as inscrições e eu acabei desistindo. Estava muito em cima da hora, eu não tinha tempo e nem dinheiro para gastar com figurino, e inscrições. Ainda em 2022, comecei a focar mais na parte coreográfica, flow e improvisação, que são (ou eram) coisas totalmente fora da minha zona de conforto, mas que eu sei que eram importantes pra minha evolução dentro do pole.
Em 2023, no começo do ano, eu não tinha pretenção alguma (ou vontade, pra ser sincera), de me apresentar de novo. Mas aí, na metade do ano, eis que surge a possibilidade de apresentar em um festival. Um festival, pra quem não sabe, não é uma competição. Um festival é um lugar mais aberto, onde você não precisa ter um figurino impecável, uma maquiagem profissional, um cabelo super produzido. Ninguém está lá pra te julgar, estão lá pra ver possibilidades que o pole trás. E isso que eu achei maravilhoso de me apresentar nessa proposta. Eu poderia fazer uma coreografia com movimentos que eu gosto, onde eu me sinto confortável, sabendo que eu não preciso fazer movimentos específicos porque são os movimentos que dão mais pontos (que é o caso de competições de Pole Sport), e também não preciso participar de uma categoria onde eu não sinto que me encaixo (Pole Arte).
Acabei fazendo a inscrição o quanto antes, e descobri que o processo fluiu muito melhor do que qualquer uma das outras vezes que eu tentei me apresentar. Escolhi a música dois dias depois da inscrição, uma semana comprei o figurino, e escolhi o que ia fazer no cabelo. A coreografia estava pronta em menos de um mês, e foram 2 meses treinando pra conseguir fazer a coreografia inteira (é uma coreografia pesada, cheia de movimentos de força, e muitas vezes o fôlego acabava antes da música terminar), e para que a coreografia saísse limpa e fluída. Não foi nem um pouco fácil, mas foi um processo gostoso de fazer.
No dia da apresentação, eu senti um nervosismo que eu nunca tinha sentido na minha vida. Uma mistura de vontade de chorar, com sair correndo o mais longe possível dali. Eu sabia que eu já tinha feito a coreografia mais de 20 vezes, já estava tudo gravado na minha memória, e no meu corpo. Eu nem precisava mais pensar pra fazer ela. Mas na minha cabeça, eu iria esquecer a coreografia, eu iria cair de algum movimento, eu iria bater a cabeça na barra. Todas as coisas ruins que poderiam acontecer, passaram pela minha cabeça, e na minha cabeça, eu tinha certeza que todas elas iriam acontecer. Queria desistir, não vou mentir. Mas depois de tudo que eu já tinha passado, era só 3 minutos e tudo iria acabar. Foram os 3 minutos mais longos de toda a minha vida, e ao mesmo tempo, parece que eu nem estava ali naqueles 3 minutos. Acho que o nervosismo era tanto que eu dissociei completamente, entrei no piloto automático e só voltei pro meu corpo depois que tinha acabado.
Tudo isso pra falar: Ela ficou perfeita? Não ficou. Na minha apresentação final, a barra estava bem lisa, não consegui fazer todos os movimentos, me perdi completamente no timing da música (no nervosismo, acelerei de mais e fiz tudo muito mais rápido do que deveria), e fiquei parada, perdida no finalzinho, esperando o tempo certo para voltar pra coreografia. Mas depois, revendo o vídeo com um pouco mais de carinho, ao invés do julgamento, eu parei pra perceber o quanto eu evoluí desde a minha última apresentação, aquela junto com a turma, que eu achei que tinha sido boa. Meu movimentos são muito mais seguros, minha improvisação nos movimentos que não saíram, a finalização dos movimentos. São coisas que eu não parei pra ver, naquele primeiro momento que eu assisti o vídeo. Na primeira vez que eu assisti o vídeo, eu só consegui ver os erros: As coisas que não saíram e as coisas que saíram fora da hora. Eu só consegui ver o momento em que eu fiquei parada lá, esperando a música passar. Mas olhando depois, eu consegui ver os vários movimentos legais que eu fiz! Eu fiz um mortalzinho, eu fiz um flip do alto, eu fiz duas quedas super legais. E porque que mesmo assim, a primeira vez que eu vi, eu fiquei me cobrando das coisas que deram errado?! Deu errado? Deu. Mas também deu certo! E mesmo dando errado, as coisas certas, ficaram boas! Então eu vou é ficar satisfeita e feliz com o que eu fiz!
E agora uma única foto pra registrar aqui o momento:

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