#BIPRIDE

 Oi! Recentemente eu descobri que Junho é o mês do Orgulho LBGT+, e por causa disso, resolvi vir fazer um post especial sobre isso. Não é surpresa pra ninguém aqui que eu faço parte desse seleto(não tão seleto assim) grupo de pessoas. Eu faço parte do B, ali! Eu sou Bissexual, e por mais que não pareça, porque eu estou casada com um homem e tudo mais, eu sou LGBT+, e tenho coisas a falar sobre Orgulho LGBT+.

Bem, eu acho que eu nunca cheguei a contar a minha história aqui, então acho que esse é um ótimo momento pra eu falar mais sobre a minha história.

Eu honestamente não sei dizer quando que eu percebi que eu gostava de meninas e meninos. Sempre foi algo muito natural pra mim. E acho que até hoje eu ainda não consigo entender, na minha cabeça, como que alguém pode gostar só de meninos ou só de meninas. São tão diferentes, e cada um tem seus pontos bons e pontos ruins. E acho que desde que eu me lembro eu nunca vi essa distinção como algo que fosse fazer eu não gostar de alguém. Afinal, eu gostava da pessoa por inteiro, e não só do que ela tinha no meio das pernas. Isso foi algo que eu aprendi desde cedo, a gostar da personalidade da pessoa e meio que me "apaixonar" pelo jeito dela ao invés do físico. Claro que o físico também era importante, mas não era o mais importante. Se a pessoa fosse feia, mas fosse muito legal, estava tudo bem, mas se a pessoa fosse linda, e chata, não estava tudo bem. Talvez seja por causa disso que eu nunca entendi porque as pessoas faziam essa distinção entre meninos e meninas, porque na minha cabeça, não importava se era menino ou menina, importava se era legal ou chato, e pra mim isso parece uma coisa muito óbvia. Ou seja, eu não sei como uma pessoa hétero pensa sobre isso, talvez pra eles precise ser uma pessoa legal E do sexo oposto. É, acho que agora faz sentido pra mim como eles pensam. 

Mas enfim, acabei de perceber que eu falei, falei e falei, mas nem comecei a minha história ainda. Quer dizer, tecnicamente eu comecei, porque como eu falei, eu não sei onde começa. Eu nunca tive um momento de "Oh, meu Deus, eu sou diferente porque eu também gosto de meninas!". Eu sempre olhei mais para os meninos, porque era o que as pessoas esperavam de mim, aquela história de compulsory heterosexuality. Mas nem por isso eu deixava de olhar para as meninas.

Quando eu cheguei na puberdade, eu acho que foi quando eu comecei a pensar mais sobre isso, e a não me importar meesmo se era menina ou menino. Foi quando eu experimentei com meninas e com meninos e percebi aquilo que eu mencionei ali em cima, que mesmo sendo experiências bem diferentes, cada uma é boa da sua própria maneira. Com meninas, sempre foi mais "leve", pele e cabelos macios, sem agressividade, com mais calma. Com meninos, era mais "pesado", mais forte, mais duro, mais agressivo. É quase como humor, tem dias que você está mais tranquila, e tem dias que você está mais brava. É a mesma comparação. Tem dias que você quer uma coisa mais leve e tem dias que você quer uma coisa mais agressiva. 

E eu não to falando que com meninas não pode ser agressivo e obrigatoriamente tem que ser leve. Eu to falando assim, porque foi assim as experiências que eu tive. 

Na minha vida, eu amei de verdade duas pessoas. Uma menina e um menino. A menina foi minha primeira namorada, eu não faço ideia onde ela está agora, e como ela está agora, mas frequentemente eu ainda penso nela, e espero que ela esteja bem, e feliz. O menino, atualmente é o meu marido, e eu obviamente sempre penso nele. Mas o que eu quero dizer é que em ambos os casos, o que eu sinto/sentia era muito parecido, a única diferença é que dessa vez, além do amor, eu também tenho o conforto de um relacionamento longo. O relacionamento com a minha primeira namorada, além de ser LDR, também não foi tão longo (acho que não durou mais do que 1 ano, talvez?). Mas os sentimentos eram os mesmos.

Voltando pra história, quando a minha mãe descobriu que eu estava ficando com meninas, é claro que ela não ficou muito feliz. "É uma fase.", "É só até você achar o homem da sua vida", "Eu não quero que você sofra", e por aí vai. E pra ela, realmente foi uma fase. Porque agora eu estou vivendo uma vida "hétero", casada com um homem, e tudo mais. Mas isso não faz de mim hétero. Porque eu ainda não me importo se a pessoa é homem ou mulher. Eu ainda olho pra mulheres e penso: "Nossa, que linda! Queria pra mim!"

E sei lá, essa coisa de Bissexualidade é complicada, né. Porque eu admito que várias vezes, durante o meu relacionamento (de quase 12 anos), eu parei e pensei: "Será que agora eu sou hétero? Porque eu estou nun relacionamento monogâmico com uma pessoa do sexo oposto?". Mas aí eu percebi que não é por quem você está junto, mas por quem você sente atração, e eu continuo sentindo atração por ambos os sexos. Então sim, eu ainda sou Bissexual, mesmo estando em um relacionamento monogâmico(-ish) com uma pessoa do sexo oposto.

Aliás, eu vou explicar ali o monogâmico(-ish) ali de cima. Eu tive uma dessas crises de "Será que eu ainda sou bi?" a pouco tempo atrás. Uns 2 meses atrás. E eu comentei com a outra parte interessada nesse relacionamento monogâmico, e perguntei se estaria ok pra ele, se eu ficasse com alguma menina, porque eu queria ter essa certeza se eu ainda me interesso por meninas, e ele falou que sim, estaria ok com isso. Dito isso e feito isso, eu fiquei com uma menina, e descobri que sim, ainda me interesso por elas, e por incrível que pareça, me interesso pelos mesmos motivos que me interessavam antes! Pela leveza e suavidade de ficar com elas. 

Ou seja, não, eu não traí ele. Nós conversamos e chegamos em um consenso sobre "abrir" um pouquinho a relação para eu ter essa experiência. Não sei se vamos chegar a abrir mais, ou se foi uma coisa mais única, mas foi o que eu precisava no momento, e agora passou. Eu não tenho vontade, agora, de ficar com mais ninguém, a não ser ele. E se ficar, eu sei que eu posso conversar com ele, e vemos na hora como podemos fazer, para ninguém sair machucado, e sempre nos respeitando.

Era pra ser um post sobre a minha história, mas da minha história mesmo teve pouca coisa. Acabou sendo mais uma reflexão sobre a bissexualidade na minha vida. Mas é isso aí, eu acho que não tem mesmo como eu falar a minha história com a bissexualidade, porque é algo que faz parte da minha vida. Contar minha história com a bissexualidade é contar a minha história de vida, e eu acho que pra isso, eu teria que escrever um livro, e não um post no Blog. Então, acho que para um post no Blog, essa reflexão já tá de bom tamanho.

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