Sobre gastos superfluos e fazer bom uso de dinheiro...
É, pois é. Eu trazendo o tema financeiro para esse blog. É que recentemente aconteceu uma coisa que me deixou bem reflexiva em relação a gastos e financeiro.
Desde que eu era pequena, eu sempre fui de guardar dinheiro, diferente do meu irmão, que sempre que recebia algum dinheiro dos nossos pais gastava com alguma coisa da moda para "parecer rico", eu sempre fui de guardar para algo que eu realmente precisasse. Óbvio que por causa disse, ele sempre teve mais dinheiro que eu, porque quando ele realmente precisava, e não tinha, era pra mim que ele vinha pedir. Ou seja, eu saía perdendo.
Mas enfim, o tempo passou, e mesmo assim eu não aprendi a lição. Continuei fazendo o possível para guardar sempre que eu podia. Claro que teve uma época que eu não conseguia guardar. Eu não ganhava o suficiente para pagar as contas e ainda guardar, mas eu sempre consegui ir me virando. Mas em teoria, a minha vida inteira foi desse jeito. Guardando o que eu posso, e gastando apenas o essencial.
Agora, eu aprendi que eu posso gastar com algumas coisinhas além de pagar as contas. As vezes eu compro uma roupa nova, ou um item desnecessário que eu quero (que não seja muito caro, claro), mas eu ainda tenho noção de quanto eu estou gastando, e do quanto eu "posso" gastar com essas coisas desnecessárias. Mas uma coisa que eu não conhecia, são os hábitos de pessoas que não tem noções de educação financeira, e que parecem não entender o quanto ganham e o quanto gastam. Chegando ao ponto de gastar o dinheiro que não têm, e acabar tendo que pegar dinheiro dos outros.
Em teoria, eu sei que eu não posso me meter na vida deles. Mas na prática, eu fiquei chateada, porque esse dinheiro que ela pegou que não era dela, vai me afetar. Vai fazer falta pra mim, também. Era um dinheiro que estávamos contando para investir, e para crescer. Era um dinheiro que iria ser bem usado, mas ao invés disso, vai ser usado para fazer uma cirurgia plástica porque alguém "tem que tirar o excesso de pele", e sinceramente, eu não acho que era o momento certo para fazer isso. O que vai acontecer depois da cirurgia e ela perceber que o excesso de pele não era o que atrapalhava, o que fazia ela se sentir mal com o corpo dela. Uma cirurgia plástica, sozinha, não é a solução de todos os problemas de auto-estima. Uma terapia é. Você se sentir bem no seu próprio corpo, é. Se ela estivesse bem com o próprio corpo, eu entenderia a plástica. Porque aí ela iria apenas enaltecer o que já vem de dentro. Mas eu sei que ela tá fazendo isso para se sentir bem, e eu sei que não vai dar certo. Talvez no começo de uma ajudada. Mas nada vai mudar se ela não mudar. Se ela não mudar os hábitos alimentares, se ela não começar a fazer exercícios, se ela não cuidar da saúde mental em primeiro lugar.
Sem contar que gastar 28 mil reais em uma cirurgia plástica pra mim é ridículo. Com 28 mil reais dava para fazer tanta coisa melhor. Dava pra viajar, dava pra fazer um curso muito bom, dava pra guardar e comprar uma casa, dava pra comprar uma bicicleta... Com esse dinheiro, dava pra comprar a estética que você quer, com hábitos melhores. Pagar academia, comprar todas as coisas saudáveis possíveis, inclusive, pagar terapia. Mas ao invés disso, ela quer o easy way out. O caminho de menos resistência. Porém, o caminho de menos resistência, também é o caminho de menos recompensa, porque com isso, ela não vai ter a sensação de que "foi com o meu esforço" que eu cheguei aqui. Afinal, não foi.
Mas de qualquer forma, eu não posso simplesmente chegar me intrometendo e falar tudo isso pra ela. Mesmo que o dinheiro que ela vai gastar superfluamente faria diferença pra minha vida.
Eu só queria que ela conseguisse pensar nos outros e em como essa escolha dela pode afetar as pessoas ao redor.
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