Sobre o Pole Dance (2.0)...
Sexta-feira passada (05/02) saiu um documentário no Netflix, teoricamente, sobre Pole Dance. É lógico que eu fiquei empolgadíssima pra assistir, afinal já faz 4 anos que Pole Dance é minha paixão, e sempre foi uma dança/esporte muito underground, que ninguém sabia muito bem o que era, e tudo mais. Um documentário com certeza vai fazer as pessoas aprenderem mais sobre o Pole Dance, sobre as vertentes do Pole, descobrir que o Pole não é só dança de stripper. Pole pode ser um esporte, pode ser uma arte, e também pode ser dança, tudo depende do seu estilo. E o meu estilo não é dança.
Claro, acho lindo quem dança no Pole, acho maravilhoso quem consegue se expressar quase como se fosse um teatro. Mas o meu estilo de Pole, é voltado para o esporte. Eu gosto de fazer os movimentos, juntar um movimento com o outro, ver até onde eu aguento me segurar na barra, sem encostar no chão. E eu queria que o documentário mostrasse que existem pessoas que fazem pole como exercício, mesmo.
Porém não é o que apareceu no documentário. O que apareceu no documentário (o foco principal, pelo menos) foi um tal de "The S Factor" que trabalha o Pole como recuperação de traumas pesados, de abuso sexual, luto, e mais um monte de coisas que deveriam ser trabalhadas em conjunto com psicólogos, psiquiatras e terapeutas. O pole ajuda muito a melhorar a auto estima, se sentir bem seu próprio corpo, mas não deveria ser utilizado como forma de terapia de trauma.
Mas enfim, o que eu queria dizer mesmo, nesse post, é que: mesmo não sendo como mostra no documentário, as minhas aulas de Pole me ensinaram e me ajudaram em muita coisa (junto com a terapia, acompanhada por uma psicóloga formada e preparada para isso, diga-se de passagem). E eu to aqui agora para falar sobre essas coisas, revisando e atualizando um post que eu fiz lá em 2017, com 4 meses de Pole Dance.
A primeira coisa que o pole me ajudou, foi a superar a depressão, junto com a terapia. Uma das principais coisas que me deixavam depressiva, e que diariamente passavam pela minha cabeça era a seguinte frase: "Você não é boa em nada". Era uma frase que constantemente eu tentava me livrar, tentando racionalizar alguma coisa que eu era boa, mas nunca vinha nada na minha cabeça. Quando eu comecei a praticar o Pole, lá em 2016, foi quando eu comecei a pensar que talvez tinha UMA coisa na qual eu era boa. Eu lembro que eu comecei o Pole por volta de setembro de 2016, e em dezembro eu já participei de uma apresentação. A apresentação foi boa? Eu fui boa? Provavelmente não, afinal, eu havia começado a 3 meses! Mas o fato de que deixaram eu me apresentar no espetáculo de fim de ano me fez acreditar que eu não era tão ruim assim. E isso foi o pontapé inicial para que eu não me achasse mais tão ruim em tudo o que eu faço.
A segunda coisa que o pole me ajudou foi começar a aceitar meu corpo, e por mais incrível que possa parecer, gostar do meu corpo do jeito que ele é. Por todas as coisas que eu podia fazer no pole, com ele. O meu corpo, mesmo não sendo perfeito como eu via nos outros, era perfeito do jeito dele. Era ele que me ajudava a fazer todos os movimentos lá no Pole. E mesmo que eu não conseguisse algum movimento, eu sabia que era só questão de tempo até ele aprender e conseguir fazer também. Essa mudança não foi de uma hora para a outra, só para deixar claro, muito menos em seis meses (como mostra no documentário). Eu acho que deve ter levado mais ou menos 1 ano e meio, dois anos até eu me sentir confortável em fazer aula de top e shorts curto. Antes disso, eu fazia as aulas com o máximo de roupa possível e só tirava quando precisava utilizar alguma parte do corpo para travas. Eu tinha um caso bem extremo de não gostar do meu corpo.
Outra coisa que o pole me ajudou bastante, foi minha auto confiança. Foi no pole que eu aprendi e descobri que eu tenho a capacidade de aprender, e crescer, e que eu, sendo eu, não sou uma pessoa horrível que não tem amigos porque ninguém minha personalidade afasta todo mundo. Minha personalidade é ótima do jeito que é, e eu só não tenho muitos amigos, porque eu tenho dificuldade em deixar as pessoas se aproximarem de mim. Mas todo mundo que consegue se aproximar, gosta de mim do jeito que eu sou. E eu tenho que dizer que isso foi o que fez a minha timidez não ser tão debilitante. Claro, eu ainda sou tímida. Mas eu não sofro de ter que puxar assunto com alguém, não fico questionando todas as minhas respostas em uma conversa, e pensando o que eu poderia ter falado diferente.
E por último e não menos importante, é uma coisa que eu ainda estou aprendendo: Aceitar minha feminilidade. Eu sempre fui muito tomboy, sempre gostei de usar roupas largas, tênis e nada que ressaltasse meu corpo "feminino" (que nunca foi muito feminino, pois nunca tive "as curvas" que garotas tem), mas o pole tá me ensinando que eu posso ser feminina e continuar sendo eu mesma. Muito do que eu tinha era por medo de não ser "eu". Se eu não usasse roupas de menino, se eu não usasse roupas largas, eu não estaria sendo eu. E eu to descobrindo que isso não é verdade. Eu posso usar um vestido e vou continuar sendo eu. Eu posso usar roupas curtas e vou continuar sendo eu. Não são as minhas roupas e o meu estilo que vão me definir, porque a minha essência, vem de dentro de mim, e não de fora. Eu sou quem eu sou, e se eu for mais feminina por fora, não tem problema.
Enfim, tudo isso pra falar que: Diferente do que deu a entender no novo documentário do Netflix, você não precisa ter traumas sérios para se beneficiar do Pole. E as vezes, mesmo sem saber que você precisa melhorar alguma coisa, você acaba melhorando. Porque pela minha experiência, o pole nos traz coisas que a gente nem espera, sem pedir nada em troca.
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