Thanksgiving break - Parte 1
Meu thanksgiving foi uma versão extendida de um fim de semana, praticamente. Feriado na quinta, recesso na sexta. Mas como eu não tenho aulas na quarta nem segunda, foram seis dias de fim de semana. E nesses seis dias, eu decidi ir novamente para San Francisco, para poder aproveitar mais do que o um dia que eu passei lá. E tenho que admitir que realmente consegui aproveitar muito mais. Foi um feriado maravilhoso, e logo logo vocês vão concordar comigo.
Vou começar pelo começo. Contando da parte menos legal da viagem. Foi no final do dia 24 de Novembro e começo do dia 25 de Novembro.
Primeiro preciso explicar algumas coisas. Eu moro em Ashland, Oregon, uma micro cidade, que possui apenas uma linha de ônibus, que passa das sete da manhã as oito da noite, e vai para a cidade grande mais proxima, que é Medford. Ah, e não funciona nos fins de semana e feriados. Super útil, não? Quando você pode sair da cidade, porque não tem aula, não tem ônibus pra te levar embora. Bem legal.
Bom, eu fiz a péssima escolha de ir de ônibus para San Francisco, e meu ônibus sairia meia noite e meia, de Medford. Já deu pra percebeu a cagada, né? O último ônibus de Ashland pra Medford saía as 8 horas. Ou seja, eu teria que ficar em Medford esperando o ônibus por quatro horas. Mas calma que isso ainda não era a pior parte.
Com tudo arrumado, saí do campus as 7:20. Saí cedo, porque estava com medo de perder o onibus e aí não ia ter como chegar em Medford, então acabei pegando o ônibus das 7:30, penúltimo ônibus. Cheguei em Medford as 8:15. Desci do ônibus, e fui até a casinha do Greyhound, companhia do meu ônibus. Assim que eu entrei, um cara estava ajudando uma moça que estava dentro, levar as coisas para o banco de fora. E foi assim que eu descobri que eles estavam fechando. Eu ia ter que esperar 4 horas do lado de fora, no frio de Medford (hey, pelo menos não estava nevando!). Dei uma volta na casinha do Greyhound e descobri um espaço onde tinham bancos e uma tomada no poste. Pelo menos podia carregar o meu celular. Peguei meu livro e começei a ler enquanto esperava meu celular carregar. Uma hora depois, começei a realmente ficar com frio, Tirei meu celular da tomada, guardei meu livro, juntei minhas coisas e fui andar e procurar um lugar quentinho. Descobri que tudo fechava as nove horas da noite ou antes. Eram 9:10. Voltei para o meu banquinho, recoloquei meu celular na tomada, e voltei a ler meu livro. Acho que aguentei meia hora antes de perceber que meu pé estava querendo congelar. As pontas dos meus dedos da mão doíam, e eu já estava começando a não sentir mais dois dos meus dedos do pé. Aí tive uma ideia ótima, iria procurar um motel/hotel, alugar um quarto enquanto espero meu ônibus. Pelo menos eu iria esperar em um lugar quentinho. Quando cheguei no primeiro estabelecimento, descobri que era uma ideia péssima.
Pri congelando: "Olá, quanto custa pra alugar um quarto?"
Indiano mal educado: "55 dólares."
Eu definitivamente não ia pagar 55 dolares pra ficar duas horas em um quarto. Mas eu também não queria congelar. O que eu poderia fazer?
Pri: "Eu tenho que pegar um ônibus em 1 hora, será que eu poderia esperar aqui dentro?" - Sim, eu falei uma hora só pra não pedir demais.
Indiano mal educado: "Não"
Saí do estabelecimento irritada, com frio e querendo chorar. Não fiz isso, claro. Pensei que poderia procurar no google algum outro que fosse mais barato. Não encontrei nenhum. Voltei para o meu banquinho, extremamente chateada. Agora eu já não sentia mais outros dedos do meu pé, e pessoas estranhas passavam por ali, e eu estava começando a ficar com medo. Ainda faltava quase duas horas. Um tempo depois, um homem chegou de bicicleta, que deveria ter uns 48 anos(sou péssima nessa coisa de tentar adivinhar idade, mas era um homem um pouco mais velho, mas que ainda estava inteiro o bastante para andar de bicicleta pela cidade tarde da noite).
Tivemos uma breve conversa, com ele tentando entender o que eu estava fazendo ali sozinha a noite e eu tentando explicar que eu tava bem, e era só o frio. Ele cismou que eu era homeless e não tinha ninguém. Talvez por eu tentar explicar que eu era do Brasil, e tava em Medford pela primeira vez. Depois de não conseguir me explicar direito e de ele não conseguir entender direito, ele perguntou porque eu não ia para o Mission. Eu tentei explicar mais uma vez que eu não sabia o que era isso, porque era minha primeira vez em Medford. Ele disse "Be safe" umas 30 vezes durante a conversa e terminou com mais um, antes de subir de novo na bicicleta e ir embora. Se vocês acham que essa conversa parece estranha agora, vocês deveriam ter visto ao vivo. Foi tão confuso pra mim quanto ta sendo pra vocês.
Como não tinha nada a perder, mesmo, resolvi procurar no google o que era o tal Mission, e acabei descobrindo que era uma igreja, e que ficava aberta 24 horas. Por que não? Resolvi ir até lá. O máximo que ia acontecer era eu chegar lá e estar fechado e eu ter que voltar.
Quando eu li que era uma igreja, eu tenho que admitir que eu imaginei uma igreja católica, com o altar, bancos, vitrais, teto altíssimo. Mas quando cheguei lá, definitivamente não parecia uma igreja. Parecia só um lugar com um hall de entrada, uma sala vazia, totalmente ocupada por sacos de dormir(com pessoas dentro, claro) e uma salinha com homem dentro, no computador, jogando paciência. Entrei no hall e estava quentinho. E daí que era um abrigo para pessoas sem-teto? E daí que eu fui confundida com uma pessoa sem-teto? E daí que eu estava agindo como uma pessoa sem-teto que precisava de abrigo? O que importa é que eu poderia recuperar meu pé congelado ali, e não ia mais passar frio. Fiquei ali durante uma hora, e sinceramente, acredito que eu não seria tão ruim como sem-teto, eu realmente não me importaria de ter que dormir ali, junto com um monte de outras pessoas sem-teto.
Enfim, meia-noite em ponto voltei para a estação de ônibus. Cheguei lá meia noite e quinze. Meu ônibus sairia meia noite e meia. Voltei a ler meu livro, e carregar mais um pouquinho do celular no mesmo poste de antes. Assim que deu meia noite e meia, juntei minhas coisas e fui esperar o ônibus no lugar que ele iria chegar. Sentei lá e esperei. Esperei. Esperei. Esperei. Cansei de esperar e fui dar uma volta. Olhei no relógio da estação: Uma e dez da manhã. É, ele tava atrasado. Voltei a sentar. Esperei mais um pouco, e com 50 minutos de atraso, ele chegou. Entrei no ônibus, e estava completamente lotado. Passei os primeiros bancos, e não encontrei nenhum lugar. Na metade do ônibus, pensei: "Será que eles venderam mais passagens do que tem lugares no ônibus?" Mas aí encontrei. O único lugar vago do ônibus. Ao lado de um cara com pernas grandes. É, seria uma viagem e tanto,
A viagem foi um saco, estava super desconfortável, não consegui dormir nada além de uns cochilos de 15 minutos uma vez ou outra. Sem querer chutei o cara do banco ao lado. As sete e meia da manhã, eu iria trocar de ônibus em sacramento, para ir até San Francisco. Chegamos em sacramento as 7:26. Desci do ônibus direto para a fila do próximo ônibus.
Esse ônibus estava bem mais vazio, e tinha praticamente duas poltronas para cada pessoa, Peguei um lugar mais ao fundo, A viagem foi boa, mas eu estava morrendo de fome, e super cansada. Tinha tomada dentro do ônibus, e fui carregando o celular de novo. Dá pra perceber o meu medo de ficar sem celular, né? Mas tudo isso tem motivo. Eu estava com medo de ser esquecida de novo, e se eu fosse estar sozinha em uma cidade que eu não conheço, pelo menos eu teria o google para me ajudar a chegar em algum lugar.
No caminho passamos pelo Six Flags, um parque de montanha russa, que tinha umas montanhas russas meio assustadoras, mas parecia legal. Então, finalmente, consegui ver ao longe a Golden Gate Bridge. Sabia que estava quase lá. Entrei em San Francisco pelo centro, onde eu ainda não tinha ido, e qual a minha surpresa ao perceber que tinham prédios lá. San Francisco não eram só as casinhas bonitinhas que eu tinha conhecido. Desembarquei, e estava lá. San Francisco.
Vou começar pelo começo. Contando da parte menos legal da viagem. Foi no final do dia 24 de Novembro e começo do dia 25 de Novembro.
Primeiro preciso explicar algumas coisas. Eu moro em Ashland, Oregon, uma micro cidade, que possui apenas uma linha de ônibus, que passa das sete da manhã as oito da noite, e vai para a cidade grande mais proxima, que é Medford. Ah, e não funciona nos fins de semana e feriados. Super útil, não? Quando você pode sair da cidade, porque não tem aula, não tem ônibus pra te levar embora. Bem legal.
Bom, eu fiz a péssima escolha de ir de ônibus para San Francisco, e meu ônibus sairia meia noite e meia, de Medford. Já deu pra percebeu a cagada, né? O último ônibus de Ashland pra Medford saía as 8 horas. Ou seja, eu teria que ficar em Medford esperando o ônibus por quatro horas. Mas calma que isso ainda não era a pior parte.
Com tudo arrumado, saí do campus as 7:20. Saí cedo, porque estava com medo de perder o onibus e aí não ia ter como chegar em Medford, então acabei pegando o ônibus das 7:30, penúltimo ônibus. Cheguei em Medford as 8:15. Desci do ônibus, e fui até a casinha do Greyhound, companhia do meu ônibus. Assim que eu entrei, um cara estava ajudando uma moça que estava dentro, levar as coisas para o banco de fora. E foi assim que eu descobri que eles estavam fechando. Eu ia ter que esperar 4 horas do lado de fora, no frio de Medford (hey, pelo menos não estava nevando!). Dei uma volta na casinha do Greyhound e descobri um espaço onde tinham bancos e uma tomada no poste. Pelo menos podia carregar o meu celular. Peguei meu livro e começei a ler enquanto esperava meu celular carregar. Uma hora depois, começei a realmente ficar com frio, Tirei meu celular da tomada, guardei meu livro, juntei minhas coisas e fui andar e procurar um lugar quentinho. Descobri que tudo fechava as nove horas da noite ou antes. Eram 9:10. Voltei para o meu banquinho, recoloquei meu celular na tomada, e voltei a ler meu livro. Acho que aguentei meia hora antes de perceber que meu pé estava querendo congelar. As pontas dos meus dedos da mão doíam, e eu já estava começando a não sentir mais dois dos meus dedos do pé. Aí tive uma ideia ótima, iria procurar um motel/hotel, alugar um quarto enquanto espero meu ônibus. Pelo menos eu iria esperar em um lugar quentinho. Quando cheguei no primeiro estabelecimento, descobri que era uma ideia péssima.
Pri congelando: "Olá, quanto custa pra alugar um quarto?"
Indiano mal educado: "55 dólares."
Eu definitivamente não ia pagar 55 dolares pra ficar duas horas em um quarto. Mas eu também não queria congelar. O que eu poderia fazer?
Pri: "Eu tenho que pegar um ônibus em 1 hora, será que eu poderia esperar aqui dentro?" - Sim, eu falei uma hora só pra não pedir demais.
Indiano mal educado: "Não"
Saí do estabelecimento irritada, com frio e querendo chorar. Não fiz isso, claro. Pensei que poderia procurar no google algum outro que fosse mais barato. Não encontrei nenhum. Voltei para o meu banquinho, extremamente chateada. Agora eu já não sentia mais outros dedos do meu pé, e pessoas estranhas passavam por ali, e eu estava começando a ficar com medo. Ainda faltava quase duas horas. Um tempo depois, um homem chegou de bicicleta, que deveria ter uns 48 anos(sou péssima nessa coisa de tentar adivinhar idade, mas era um homem um pouco mais velho, mas que ainda estava inteiro o bastante para andar de bicicleta pela cidade tarde da noite).
Tivemos uma breve conversa, com ele tentando entender o que eu estava fazendo ali sozinha a noite e eu tentando explicar que eu tava bem, e era só o frio. Ele cismou que eu era homeless e não tinha ninguém. Talvez por eu tentar explicar que eu era do Brasil, e tava em Medford pela primeira vez. Depois de não conseguir me explicar direito e de ele não conseguir entender direito, ele perguntou porque eu não ia para o Mission. Eu tentei explicar mais uma vez que eu não sabia o que era isso, porque era minha primeira vez em Medford. Ele disse "Be safe" umas 30 vezes durante a conversa e terminou com mais um, antes de subir de novo na bicicleta e ir embora. Se vocês acham que essa conversa parece estranha agora, vocês deveriam ter visto ao vivo. Foi tão confuso pra mim quanto ta sendo pra vocês.
Como não tinha nada a perder, mesmo, resolvi procurar no google o que era o tal Mission, e acabei descobrindo que era uma igreja, e que ficava aberta 24 horas. Por que não? Resolvi ir até lá. O máximo que ia acontecer era eu chegar lá e estar fechado e eu ter que voltar.
Quando eu li que era uma igreja, eu tenho que admitir que eu imaginei uma igreja católica, com o altar, bancos, vitrais, teto altíssimo. Mas quando cheguei lá, definitivamente não parecia uma igreja. Parecia só um lugar com um hall de entrada, uma sala vazia, totalmente ocupada por sacos de dormir(com pessoas dentro, claro) e uma salinha com homem dentro, no computador, jogando paciência. Entrei no hall e estava quentinho. E daí que era um abrigo para pessoas sem-teto? E daí que eu fui confundida com uma pessoa sem-teto? E daí que eu estava agindo como uma pessoa sem-teto que precisava de abrigo? O que importa é que eu poderia recuperar meu pé congelado ali, e não ia mais passar frio. Fiquei ali durante uma hora, e sinceramente, acredito que eu não seria tão ruim como sem-teto, eu realmente não me importaria de ter que dormir ali, junto com um monte de outras pessoas sem-teto.
Enfim, meia-noite em ponto voltei para a estação de ônibus. Cheguei lá meia noite e quinze. Meu ônibus sairia meia noite e meia. Voltei a ler meu livro, e carregar mais um pouquinho do celular no mesmo poste de antes. Assim que deu meia noite e meia, juntei minhas coisas e fui esperar o ônibus no lugar que ele iria chegar. Sentei lá e esperei. Esperei. Esperei. Esperei. Cansei de esperar e fui dar uma volta. Olhei no relógio da estação: Uma e dez da manhã. É, ele tava atrasado. Voltei a sentar. Esperei mais um pouco, e com 50 minutos de atraso, ele chegou. Entrei no ônibus, e estava completamente lotado. Passei os primeiros bancos, e não encontrei nenhum lugar. Na metade do ônibus, pensei: "Será que eles venderam mais passagens do que tem lugares no ônibus?" Mas aí encontrei. O único lugar vago do ônibus. Ao lado de um cara com pernas grandes. É, seria uma viagem e tanto,
A viagem foi um saco, estava super desconfortável, não consegui dormir nada além de uns cochilos de 15 minutos uma vez ou outra. Sem querer chutei o cara do banco ao lado. As sete e meia da manhã, eu iria trocar de ônibus em sacramento, para ir até San Francisco. Chegamos em sacramento as 7:26. Desci do ônibus direto para a fila do próximo ônibus.
Esse ônibus estava bem mais vazio, e tinha praticamente duas poltronas para cada pessoa, Peguei um lugar mais ao fundo, A viagem foi boa, mas eu estava morrendo de fome, e super cansada. Tinha tomada dentro do ônibus, e fui carregando o celular de novo. Dá pra perceber o meu medo de ficar sem celular, né? Mas tudo isso tem motivo. Eu estava com medo de ser esquecida de novo, e se eu fosse estar sozinha em uma cidade que eu não conheço, pelo menos eu teria o google para me ajudar a chegar em algum lugar.
No caminho passamos pelo Six Flags, um parque de montanha russa, que tinha umas montanhas russas meio assustadoras, mas parecia legal. Então, finalmente, consegui ver ao longe a Golden Gate Bridge. Sabia que estava quase lá. Entrei em San Francisco pelo centro, onde eu ainda não tinha ido, e qual a minha surpresa ao perceber que tinham prédios lá. San Francisco não eram só as casinhas bonitinhas que eu tinha conhecido. Desembarquei, e estava lá. San Francisco.
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